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No Ceará, trato agora da campanha de Tasso Jereissati (PMDB) no Ceará.
No primeiro trimestre de 1986, recebi um telefonema de Expedito Machado, que fora ministro de Viação e Obras Públicas do governo João Goulart. Expedito foi engenheiro agrônomo, empresário, deputado estadual, deputado federal pelo Ceará. Com Jango, trabalhou de 21 de junho de 1963 a 31 de março de 1964.
Pai de Sérgio Machado, ex-senador. Naqueles idos, Sérgio era o braço direito de Tasso no Centro Industrial do Ceará – CIC, órgão que se transformou num fórum de debates das questões econômicas, sociais e políticas da região e do país.
Expedito veio a São Paulo para uma conversa comigo. Fiquei curioso. Depois dos cumprimentos, foi logo dizendo:
– Professor, li o seu livro sobre Marketing Político e quero lhe dizer que sou profundamente crente de sua pregação. Abri uma empresinha de fundo de quintal, botei um nome em inglês – Vilejack Jeans – e nunca ganhei tanto dinheiro. A marca explodiu no mercado. Quero que o senhor tenha uma conversa com o Sérgio, pois queremos lançar Tasso como candidato ao governo.
Marquei uma conversa com Sérgio em uma loja da Vilejack na avenida Pacaembu, em São Paulo. E me despachei para ajudar o empresário jovem, então com 38 anos, com formação na Fundação Getúlio Vargas, RJ, e filho do ex-senador Carlos Jereissati, falecido em 1963, e de Carlos Francisco Jereissati, conhecido como o empreendedor do Shopping Iguatemi.
Cheguei em Fortaleza para ajudar na campanha de Tasso em 24 de junho de 1986, noite de São João. O candidato fora convidado pelo deputado estadual do MDB, Barros Pinho (1939-2012), para uma festa junina em um bairro popular da capital. Seria sua primeira experiência no meio do povo. Sua tarefa seria a de presidir um júri para julgamento de fantasias juninas.
Ficou completamente deslocado, um peixe fora d’água. Chegou ao ambiente e, sob conselho deste escriba, passou de mesa em mesa, fazendo rápida apresentação. Começou a presidir o evento. Encabulado, não sabia o que fazer. Enrolou-se. Grande dificuldade de comunicação. Só era conhecido no bairro de classe média alta, Aldeota. Tinha menos de 2% de intenção de voto.
Depois do evento junino, angustiado, ele, Sérgio Machado, na época seu braço direito, e este escriba dirigimo-nos a um restaurante na praia para degustar uma lagosta. Sob o efeito do uísque tranquilizante, Tasso desabafou: “Desisto, amigos; se política for isso, assistir a batizado, casamento, velório, festa junina, não contem comigo”. O iniciante estava transtornado. Insatisfeito com sua performance. No Hotel Esplanada, numa máquina Lettera 22, no dia seguinte, esbocei o planejamento de sua campanha. Fui a Brasília para a agência MPM produzir os canais de propaganda, a partir do briefing que fiz.
Esperei pelo trabalho. Voltei a Fortaleza para apresentar o material. O moderno contra o arcaico, foi o que bolei como eixo da propaganda.
Convidaram a agência Propeg, de Fernando Barros e Rodrigo Menezes, instalada na Bahia, para produzir os materiais. Foi contratado Geraldo Walter, publicitário falecido em decorrência de um câncer em 1998, com 41 anos, para comandar a campanha.
Eu não podia tocar o dia a dia, pois já havia assumido compromisso para coordenar e dirigir a campanha de Freitas Neto, no Piauí.
Tasso deu um banho nos três coronéis que comandavam a política cearense: Virgílio Távora (1919-1988), César Cals (1926-1991) e Adauto Bezerra (1926-1921).