REJEIÇÃO, VÍRUS MORTAL

A rejeição a candidato pode ser fatal. E o pleito deste ano mostra que os dois candidatos com mais chance de chegar ao segundo turno – Lula e Flavio Bolsonaro – têm altos índices de rejeição, o petista é rejeitado por entre 50,6% e Flávio, após a revelação dos áudios de conversas entre ele e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, quando o senador fez pedido de R$ 134 milhões para financiar o filme ‘ Dark Horse”, subiu de 49,8 para 52%., segundo pesquisa feita pela Genial/Quaest. Indica que Flávio Bolsonaro aparece com rejeição maior que a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse índice pode até aumentar, a depender de novas revelações sobre as conversas entre o senador e Vorcaro.  

Quando um candidato registra um índice de rejeição maior que a taxa de intenção de voto, é prudente providenciar a ambulância para entrar na UTI eleitoral. Caso contrário, poderá morrer nas primeiras semanas do 2º turno. A rejeição é uma predisposição negativa que o eleitor adquire e conserva em relação aos perfis.  

Para entendê-la, urge compreender suas razões. A equação aceitação/ rejeição se fundamenta na reação emotiva de interesse/desinteresse, simpatia/antipatia, que Pavlov chama de reflexo de orientação. A rejeição tem uma intensidade que varia de candidato para candidato. Em São Paulo, Paulo Maluf e Orestes Quércia foram inseridos, no passado, na moldura de alta rejeição, resultante do estigma de corrupção com que foram brindados ao longo de décadas. Quércia, em 1990, foi amarrado ao conceito: “quebramos o Banespa, mas elegeremos o Luiz Antônio Fleury.” Frase que ele e o próprio Fleury sempre negaram ter sido feita. Mas o lema pegou. 

Maluf passou a administrar a rejeição depois de muito esforço. Tentou mudar comportamentos, tornou-se menos arrogante, deixou o nariz menos arrebitado, descendo-o para uma posição de humildade e começando a conversar humildemente com todos. Mas a voz anasalada o prendia na cadeia da antipatia. 

Erros e rejeições de adversários contribuíram para atenuar a predisposição negativa contra ele, purgando-se, então, por pecados de outros. Em regiões administradas pela velha política, a rejeição a determinados candidatos se soma ao familismo. Em alguns Estados, sobrenomes tradicionais acabam saturando perfis.   

Em quase todas as regiões, há altos índices de rejeição, comprovando que os eleitores, mais racionais e críticos, querem passar uma borracha em domínios perpetuados. O voto, mesmo de maneira lenta, sobe do coração para a cabeça. Torna-se um voto mais racional e menos emotivo. 

A rejeição pode ser atenuada, quando o candidato vai à fundo nas causas que corroem seu nome. Pesquisas qualitativas indicam certos fatores: atitudes, jeito de encarar o eleitor, promessas mirabolantes, oportunismo, mandonismo, orgulho, vaidade, arrogância, desleixo, compra do voto, história política negativa, envolvimento em escândalos, ausência de boas propostas, descompromisso com demandas sociais.  

Há casos em que a rejeição pode ser contornada, como foi o caso de Lula, que venceu o pleito em 2022, mesmo com a maior taxa de rejeição de sua história política. Segundo o instituto Datafolha, 39% dos entrevistados diziam, na época, que não votariam de jeito nenhum no petista. Foi o mesmo patamar da maior rejeição que o petista já registrara em suas três campanhas presidenciais, só superada pela campanha deste ano (50,6% de rejeição).   

Não se equaciona a rejeição da noite para o dia. Quando o candidato demonstra muita pressa para diminuí-la ou entra na malha do populismo, a atitude será percebida. Nesse caso, pode ocorrer bumerangue, a ação se voltando contra o populista.  Ganha força a predisposição contra ele. 

Trabalhar com a verdade, eis um ponto-chave para diminuir a rejeição. O eleitor distingue factoides de fatos políticos, boas de más intenções, propostas sérias de coisas mirabolantes.  

A rejeição de Luiz Inácio e Flavio Bolsonaro tem causas conhecidas. Lula leva consigo a imagem da divisão no País, pobres contra ricos, a luta de classes, “Nós contra Eles”, e o fenômeno chamado de desgaste de material. Por mais que tente escorregar, hoje, para chegar ao centro do corrimão, continua causando medo. O temor de que possa ganhar um quarto mandato sob a bandeira do velho PT radical.  O petismo ainda não se livrou da carga pesada de ter erigido uma “catedral ética”, que foi desmoronada pelas águas da Operação Lava Jato.  

Flávio Bolsonaro carrega a identidade da extrema direita, e agora, de mentiroso, escudando-se no nome do pai e prometendo anistia geral e irrestrita aos 1.402 condenados pelo STF nos atos de 8 de janeiro de 2023. Até abril passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou 1.402 pessoas envolvidas nos atos de 8 de janeiro de 2023.  

Quatro meses e meio para o pleito serão suficientes para diminuir a rejeição? Um terceiro nome poderia se viabilizar? Os índices de Romeu Zema e Ronaldo Caiado, ex-governadores de Minas Gerais e Goiás, pré-candidatos à presidência da República, não chegam a pontuar mais que 5%.  

O eleitor deixará de votar ou votará em branco caso não tenha opção. É possível que o registro de abstenção, os votos brancos e nulos ultrapassem a casa dos 20%. A conferir.  

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