O vedetismo é característico do atual ciclo de declínio dos meca­nismos clássicos da política – partidos, parlamentos, ideologias. Tem mais impacto em sociedades menos desenvolvidas, como a nossa, do que em democracias consolidadas, onde a mídia ainda costuma refle­tir, ao lado da competição entre quadros, diferenças de visões doutri­nárias. Aqui, a política se transforma, a olhos vistos, em monumental espetáculo, em que atores fazem absoluta questão de ocupar o espaço institucional com a imagem de seus perfis. Nos Estados Unidos ou em Países europeus, são perceptíveis as diferenças de posições entre repu­blicanos e democratas ou entre liberais e conservadores, esquerdistas e direitistas, trabalhistas e socialdemocratas.

A sete semanas da eleição presidencial de 4 de outubro, o cenário político expõe um dado que desmonta qualquer pressa em proclamar vencedores: 37 em cada 100 eleitores ainda não conseguem citar espontaneamente o nome do candidato em quem pretendem votar. É uma massa expressiva de cidadãos sem escolha definida, que mantém a disputa em aberto e tem potencial para alterar profundamente o rumo da sucessão.

“O patriotismo é o último refúgio do canalha.” A frase, pronunciada pelo escritor inglês Samuel Johnson em 7 de abril de 1775, atravessou dois séculos e meio sem perder a atualidade. Ao contrário do que uma leitura apressada poderia sugerir, Johnson não condenava o amor verdadeiro à pátria. Seu alvo era o falso patriotismo, transformado em disfarce por pessoas que invocam o interesse nacional para esconder ambições particulares, escapar de críticas ou conquistar a confiança da sociedade.

A guerra destrói primeiro a imaginação e só depois as cidades. Antes de reduzir prédios a escombros, ela elimina a capacidade de sonhar, planejar e criar. Como observou o escritor ucraniano Andrey Kurkov, na última Festa Literária Internacional de Paraty, “a imaginação morre quando a guerra começa". Não se trata apenas de uma frase literária, mas de um retrato preciso da violência organizada: a guerra não mata somente pessoas, mata possibilidades. O primeiro bombardeio não atinge apenas um edifício — atinge o futuro.

O voto é um dever cívico ou um direito subjetivo? A instigante questão diz muito a respeito da qualidade de um sistema democrático. No nosso caso, a resposta é dada pela Constituição, que torna o voto compulsório, exceção feita aos jovens entre 16 e 18 anos, eleitores com mais de 70 anos e analfabetos. Quem deixar de votar e não apresentar justificativa plausível estará sujeito a sanções. Que implicações haveria para a democracia brasileira caso o voto fosse facultativo?

A reforma do Estado é a verdadeira prioridade estrutural do Brasil e deve preceder qualquer outra mudança institucional. Mais do que ajustes no sistema político, é a transformação do modo de funcionamento da máquina pública que determinará a capacidade do país de se modernizar e entregar serviços de qualidade. Sem um Estado orientado por resultados, qualquer avanço em outras áreas tende a ser limitado e instável.

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