A 196 dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro de 2026, a sucessão presidencial ainda não comporta profecias. O calendário eleitoral já está em vigor, mas as candidaturas formais ainda dependerão das convenções e registros. No terreno das sondagens, porém, o quadro mostra uma disputa apertada: Lula segue competitivo e lidera cenários de primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece colado em simulações de segundo turno. Pesquisa Datafolha apontou 46% para Lula e 43% para Flávio, dentro da margem de erro, com rejeições também altas para ambos: 46% no caso de Lula e 45% no de Flávio. Outra pesquisa, AtlasIntel/Bloomberg, também registrou empate técnico entre os dois num eventual segundo turno.

A razão, como mecanismo para a tomada de decisões, está ampliando consideravelmente seus espaços junto aos segmentos sociais, inclusive nos setores populares, tradicionalmente conhecidos por agir intensamente sob o impacto das emoções.

Em política, poucas coisas são tão impopulares quanto imposto. Mas poucas coisas são tão poderosas quanto imposto. Ele é o termômetro do cotidiano: está na nota fiscal, no contracheque, no frete, no combustível, na conta de luz, no carrinho do supermercado. E quando o Estado toca no bolso, o eleitor não pede power point. Pede explicação — e, se não vier, pede culpado.

A paisagem paulistana tem um jeito cruel de nos desmentir. A cidade que se vende como vitrine de modernidade — arranha-céus, centros financeiros, shoppings centers e polos tecnológicos — também exibe barracas improvisadas, cobertores úmidos e sacolas que guardam a biografia inteira de alguém. Em São Paulo, riqueza e carência não se alternam; elas se encostam.

Costuma-se ler as pesquisas eleitorais a partir dos índices de aprovação dos candidatos. Quem cresce dois, três ou quatro pontos nas intenções de voto vira manchete. Quem cai, acende o sinal amarelo. O foco recai, quase sempre, sobre o contingente de eleitores dispostos a sufragar este ou aquele nome. Mas há um outro indicador, menos festejado nas análises apressadas e, paradoxalmente, mais decisivo para o desfecho de uma eleição majoritária: o índice de rejeição.

A violência política voltou a ocupar as ruas — e, em muitos lugares, também as redes — como se fosse um idioma global. De um lado, a ultradireita recruta militantes em torno de nacionalismo, ressentimento cultural, antipolítica e teorias conspiratórias. Do outro, a ultraesquerda amplia núcleos que misturam anticapitalismo, "antifascismo" militante e disposição para o confronto. O resultado é um fenômeno de espelho: os extremos crescem em pares, alimentando-se mutuamente, num ciclo em que cada radicalização serve de "prova" da ameaça do adversário.

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