A campanha presidencial de 2026 começa a ganhar contornos mais nítidos. Entre os diversos temas que ocuparão o debate público, um deles tende a assumir papel central: a contraposição entre soberania nacional e combate ao terrorismo. Trata-se de uma narrativa poderosa, capaz de mobilizar emoções, identidades políticas e diferentes concepções sobre o papel do Estado brasileiro diante das pressões internacionais.

O Brasil avança silenciosamente por um caminho que merece reflexão. Já são 1.672 escolas militares e militarizadas espalhadas pelo país — com destaque para o Paraná (383 unidades), seguido por Mato Grosso (259) e Maranhão (139). Ao mesmo tempo, o ministro do STF, Gilmar Mendes, ao votar sobre o tema, dias atrás, admitiu a constitucionalidade do modelo cívico-militar, mas estabeleceu limites: proibiu a exaltação ao militarismo, vedou padrões estéticos discriminatórios e reforçou que direção e ensino devem permanecer nas mãos de civis.

O avanço da inteligência artificial nas campanhas eleitorais inaugura uma nova fronteira na comunicação política — e, ao mesmo tempo, expõe zonas cinzentas da legislação. O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, coloca as ferramentas de IA (inteligência artificial) como um dos principais desafios para as eleições gerais deste ano. “Mentira tecnicamente otimizada”, diz o magistrado.

Há cem anos, uma tropa esfarrapada, faminta e movida pelo sonho de derrubar as velhas estruturas oligárquicas atravessava o sertão brasileiro como um vendaval. Era a Coluna Prestes, talvez o mais impressionante movimento político-militar da história republicana. Em 5 de fevereiro de 1926, às 8h10 de uma sexta-feira, a Coluna entrou em Luís Gomes, no extremo oeste do Rio Grande do Norte, cidade serrana encravada na divisa com Paraíba e Ceará. Cem anos depois, o episódio ainda vive na memória da terra onde nasci.

Há frases que atravessam o tempo porque encerram uma contradição permanente da condição humana. “É preciso que tudo mude para que tudo continue como está” — a célebre sentença atribuída ao jovem Tancredi Falconere, personagem do romance O Leopardo (de Giuseppe di Lampedusa), tornou-se uma das mais agudas metáforas da política, da sociedade e das instituições. A frase parece paradoxal, mas descreve com precisão muitos dos movimentos do nosso tempo.

A democracia contemporânea já não se contenta com o silêncio das massas. O tempo em que cidadãos eram conduzidos como rebanhos eleitorais, tangidos por favores, promessas vazias e cabrestos políticos, começa a perder espaço diante de uma sociedade mais vigilante, organizada e consciente de seus direitos. O Brasil, ainda que lentamente, caminha para o aperfeiçoamento de seus padrões políticos. E esse movimento não nasce apenas das estruturas tradicionais do poder. Ele brota, sobretudo, da vitalidade da sociedade civil organizada.

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