Na política, há duas maneiras de dizer a mesma coisa: pela régua da razão ou pelo pincel da imaginação. A primeira mede; a segunda mobiliza. E, entre medir e mobilizar, vence quem consegue traduzir a aridez dos conceitos em imagens que falem ao coração do eleitor. É nesse território que a metáfora se transforma em ferramenta de poder.

O Supremo Tribunal Federal atravessa, talvez, o ponto mais delicado de sua história recente. Pressionado por ataques políticos, campanhas de desinformação, tensões com o Congresso e agora envolvido diretamente em megainvestigações como o caso do Banco Master e o roubo dos aposentados do INSS, o tribunal virou o epicentro das desconfianças sobre o próprio sistema de justiça brasileiro. 

As aspas sempre ocuparam lugar nobre no jornalismo. Funcionam como um selo de veracidade: indicam que determinada afirmação foi dita por alguém identificável, preservam a fidelidade do relato e protegem o jornalista. Ao leitor, sugerem acesso direto à fonte, sem filtros aparentes. No entanto, no ambiente político contemporâneo — marcado pela expansão dos sistemas de poder, pela comunicação em tempo real e pela hiperexposição das lideranças — as aspas deixaram de ser apenas um recurso técnico. Tornaram-se um dos principais motores da polarização. Vivemos, cada vez mais, em um mundo entre aspas. 

O populismo, outrora um fenômeno esporádico e localizado, tornou-se, nas últimas décadas, uma força global. De Donald Trump nos Estados Unidos a Lula e Jair Bolsonaro no Brasil, de Giorgia Meloni em Itália a Viktor Orbán na Hungria, passando por movimentos populistas em França, Polônia, Argentina e até Portugal, assistimos à emergência ou consolidação de lideranças políticas que se reclamam da "vontade do povo" contra as elites.

Vivemos uma época em que a única certeza parece ser a própria incerteza. O mundo atravessa um período de transição turbulenta, marcado por instabilidades políticas, econômicas, sociais e tecnológicas que desafiam modelos consagrados de organização do poder, da economia e da convivência social. A sensação difusa de insegurança não é fruto de imaginação coletiva: ela se ancora em fatos, visíveis no cotidiano das nações e na vida dos indivíduos.

Durante muito tempo, repetiu-se como mantra que o eleitor brasileiro tinha memória curta. A tese serviu de álibi para governantes, partidos e grupos de interesse que apostavam no esquecimento como método político. O problema é que o tempo passou, o país mudou — e o eleitor também. Hoje, mais informado, mais desconfiado e mais atento às conexões de poder, o cidadão percebe quando a retórica não corresponde aos fatos.

GT Marketing

Al. Iraé, nº 620, Cj. 124
Moema - São Paulo/SP
gt@gtmarketing.com.br
Links
Popular
Newsletter
Receba os últimos artigos e notas de destaque