O governo Lula lançou recentemente uma campanha publicitária voltada ao público nordestino, com o objetivo de recuperar popularidade em sua principal base eleitoral. A peça lista obras realizadas na região, a partir da transposição do Rio São Francisco, e utiliza uma paródia da música “Isso Aqui Tá Bom Demais”, de Dominguinhos e Nando Cordel, adaptada com versos que exaltam a região: “O Nordeste é muito bom. O Nordeste é bom demais”. Imaginou-se, sob orientação do ministro da Comunicação, Sidônio Palmeira, que o forró cairia bem nesse momento em que as festas juninas aquecem a alma nordestina.

Na política há um fator incontrolável que não pede licença para entrar no saguão eleitoral e mudar o mapa dos votos. É o imponderável. Pode ocorrer a qualquer momento em qualquer lugar. Acidentes ou incidentes graves, eventos de grande impacto, borrascas inesperadas se escondem na caixa das coisas imponderáveis.

O chileno Carlos Matus, ex-ministro de Salvador Allende e especialista em planejamento governamental, oferece algumas pistas para avaliar a gestão de governos. Segundo ele, uma administração pode ser examinada por meio de quatro tipos de balanço: o primeiro é o da gestão política; o segundo, o da gestão macroeconômica; o terceiro, o da gestão administrativa, que abrange questões específicas como a desarmonia entre membros da equipe ministerial; e o quarto refere-se aos programas sociais.

Em 1376, um dominicano chamado Nicolau Eymerich, nascido em Gerona, no reino da Catalunha e Aragão, escreveu um manuscrito intitulado Manual dos Inquisidores, um retrato da crueldade da Igreja nos tempos da Inquisição. Cinquenta anos após a invenção da prensa de tipos móveis por Gutenberg, em 1503, o manuscrito foi impresso em Barcelona, na Espanha.

O tema é recorrente no Congresso Nacional: eleger presidente da República, 27 governadores, 5.570 prefeitos e 60 mil vereadores numa única eleição, que só ocorreria em um quinquênio, criando mandatos de 5 anos para todos os cargos eletivos, mantendo a reeleição para parlamentares (vereadoress, deputados estaduais e federais), mas acabando com a reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos. O eleitor passaria a escolher, de uma só vez, os ocupantes de sete cargos diferentes.

Seja quem for o candidato à Presidência da República em 2026 — Lula, Bolsonaro ou algum de seus herdeiros políticos —, é provável que o pleito reproduza a lógica da divisão entre “nós e eles”, “petralhas” contra “bolsominions”, “esquerdistas” versus “direitistas”. O Brasil atravessa uma das fases mais polarizadas de sua história republicana. Embora a polarização não seja fenômeno novo em nossa trajetória política, ela já foi sustentada por projetos de país — como o nacionalismo, o desenvolvimentismo, o trabalhismo. Hoje, a disputa é personalizada: fulanos contra sicranos. O conteúdo cede lugar ao confronto de identidades.

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